Escrito por:

Leodir D. Hilgert

Proprietário e fundador da Vinícola Casa Tertúlia

2021-08-12 12:02:00

Tags: alemães,cultivo de uva,familia,familia alemã,história,historia,historia da familia,história do vinho,historia do vinho,imigração alemã,imigração francesa,imigração polonesa,imigrantes,imigrantes europeus,suco de uva,vinho,vinicola familiar,

Legado de pai para filho? Conheça a história familiar da Casa Tertúlia

É comum a passagem de um legado de pais para seus filhos quando se fala do cultivo da uva e da produção de vinhos. Mas a história da Casa Tertúlia tem uma peculiaridade que foge um pouco a essa regra. Estabelecida em 2017, a saga familiar da vinícola começa quase cem anos antes, com os trabalhos dos avôs e avós de seus fundadores.

Em 1948, quando Albino Wagner e sua esposa Augusta Flora Knack mudam-se para o atual município de Dr. Maurício Cardoso, no noroeste do Rio Grande do Sul, encontram um parreiral de videiras na propriedade adquirida. Inicialmente sem saber o que fazer com aquelas uvas, contaram com os conhecimentos de um vizinho que os ensinou a processá-las e elaborar vinhos artesanais.

O casal Augusta Knack e Albino Wagner em meados de 1980, precursores da arte de vinificação que muitos anos antes fora aprendida com um vizinho e levada adiante pela família.

Um de seus filhos, o sempre bem humorado Armando Wagner, na época ainda um menino de apenas seis anos, acompanhando o pai desenvolve um grande fascínio pela prática de fazer vinho e leva o aprendizado por toda sua vida, passando a produzir algumas garrafas para consumo próprio e de amigos. Creditamos ao Seu Armando o resgate desta história, relatada na varanda da sua casa no interior do Alto Uruguai.

Armando Wagner, o tio Mando, a quem devemos o resgate dessa história, e que por muito tempo também produziu seus próprios vinhos e passou os ensinamentos aos filhos.

Augusta, seus filhos e o esposo mudam-se para o interior do município de Horizontina, onde decidem continuar com o cultivo de uvas, com Albino passando a vinificá-las para a família. Assim, em cada Natal, os familiares reuniam-se em sua casa para desfrutar das comidas deliciosas da vovó Augusta e deliciar-se com os vinhos do vovô Albino, que se encontravam em barris armazenados no porão da velha casa de madeira.

Quando os avós Albino e Augusta adquirem uma idade mais avançada, sua filha Ludwina e o esposo, Bruno Hilgert, acompanham-nos estabelecendo-se na propriedade da família Wagner. Foi nesse período que o patriarca ensina seu genro Bruno a processar as uvas e produzir vinhos artesanais da forma como ele fazia. Mais tarde, Bruno retorna para sua antiga morada, também em Dr. Maurício Cardoso, sendo incentivado por seu filho mais novo, Leodir, outro apreciador dos vinhos e das alegrias que proporcionavam na família, a continuar produzindo seus próprios vinhos artesanais. Assim, entre a vida, moradas e o cuidado familiar, manteve-se a tradição da uva e do vinho na família.

Fotografia de Ludwina Wagner e Bruno Hilgert. Após aprender o ofício com o sogro, Bruno seguiu produzindo e apreciando vinhos artesanais por toda a vida, paixão que passou ao filho Leodir.

Em 1993, casam-se Leodir Hilgert e Viviane Massi, uma jovem linda e sonhadora que se entusiasmava com a ideia de produzir seu próprio vinho. Na família de Viviane também se mantinha o hábito de produzir sucos de uvas artesanais entre as mulheres do lado paterno da família. Sua avó Laura Massi e as tias usavam técnicas antigas de pasteurização da uva através de fervuras em “banho maria”, conservando assim os sucos integrais em uma espécie de compota para serem degustados nos períodos das entressafras, armazenados em garrafas que hoje conhecemos como as de cerveja e tampadas com rolhas.

Família Massi reunida, com Laura e Floriano sentados, acompanhados das filhas já casadas e do filho Olívio, ao centro. Laura e as filhas mantinham o hábito de produzir sucos de uva em casa, passando a técnica de conservação das frutas por gerações.

Também Erna Dopke e Olívio Massi, pais de Viviane, tinham o hábito de cultivo da uva para consumo in natura e geleias. Era comum que os vizinhos viessem à sua casa, convidados a comer as uvas nos próprios pés, onde cresciam em fartura. Além de presentear amigos e vizinhos e servir para o consumo da família, serviam para coberturas das típicas cucas de uva e para as geleias ou schmiers que se produziam em casa. Assim foi também passado aos filhos o interesse pelo cultivo da uva. Viviane, entusiasmada em conhecer mais sobre as vinhas e os vinhos, acompanhava seu sogro Bruno Hilgert nas conversas sobre o assunto. Essa disposição fez perpetuar o legado das uvas e da vinificação, que hoje mantemos com a vinícola Casa Tertúlia. Um ensinamento passado não apenas de pais para filhos, mas de pais para genro e depois para nora.

Na foto a família Dopke, com Hermina Betcher, Henrique e seus filhos. Erna, a segunda da esquerda para a direita, terá em sua casa um parreiral de uvas, compartilhando as frutas com vizinhos e elaborando geleias e as tradicionais cucas de uva.

Em 2006, Leodir e Viviane Hilgert, juntamente com seus dois filhos, Jéssica e Gabriel, mudam-se para a Serra Gaúcha, nas proximidades do Vale dos Vinhedos, a “meca” da enologia brasileira. É então que Viviane faz seus estudos em Viticultura e Enologia e se especializa como sommelière, dedicando-se definitivamente à produção de vinhos finos de alta qualidade. É nessa fase que a tradição familiar, a paixão pelos vinhos, as amizades e os bons momentos unem-se com o conhecimento técnico e científico que dão origem ao processo produtivo da Casa Tertúlia.

Viviane Massi Hilgert, enóloga da Casa Tertúlia, em sua formatura no ano de 2017.

Depois da formação em enologia, surge a ideia do casal fundar a própria vinícola, com o objetivo de combinar diferentes experiências, juntando a rigidez dos controles absorvidos atuando em grandes corporações com a paixão pela vinificação e o desejo de deixar uma contribuição para um estilo de vida melhor. O objetivo traçado foi o de juntar conhecimento tecnológico, paixão, equilíbrio ambiental e controles exigentes para elaborar pequenos lotes com qualidade superior, a serem oferecidos a um público que busca por uma experiência diferenciada. Junto a isso, une-se a ideia de conciliar vinhos com refeições harmonizadas e bons momentos com pessoas queridas, transformando estas experiências em momentos inesquecíveis, lembrado mesmo na escolha do nome da vinícola.

Leodir e Viviane Hilgert em frente aos portões da vinícola.

Eis que em 2017 surge então a Vinícola Casa Tertúlia, uma vinícola boutique cujo projeto parte do princípio de integrar um ecossistema ambiental que permite usar do equilíbrio ecológico para minimizar a necessidade de intervenção química na produção das videiras. Integrando a produção das uvas em vinhedos consorciados com ovinocultura, é feito um controle de ervas daninhas; e com a manutenção de aves como galinhas, galinhas d’Angola, patos e gansos, que se encarregam de comer pequenos insetos, faz-se o controle de pragas no parreiral. Hoje, junto do esposo e filhos, Viviane Hilgert, a enóloga da vinícola Casa Tertúlia, é a grande responsável pela produção dos derivados da uva, mantendo o foco em fabricar vinhos do mais alto padrão de qualidade, combinando a tecnologia e controle de processo, que inicia num específico método de cultivo aliado a uma rigorosa seleção das uvas de excelente padrão de sanidade, ideais para a vinificação. O resultado deste trabalho cuidadoso, suportado pela tecnologia inserida na vinificação, a dedicação da família e o acompanhamento integral de uma enóloga apaixonada pelo que faz, imprime no terroir dos vinhos Casa Tertúlia a estampa de sua alma e a história de gerações.

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Escrito por:

Jéssica Hilgert

Sommelière, estudante de filosofia e colunista da Casa Tertúlia

2021-04-13 16:10:50

Tags: aves,casa tertulia,galinhas,galinhas d'angola,gansos,meio-ambiente,natureza,ovinos,patos,qualidade de vida,respeito ao meio-ambiente,saude,sustentabilidade,sustentável,uva,uvas,vinhedo,vinho,vinho sustentavel,vinícola,vinicola,vinícola casa tertúlia,vinícola sustentável,vinicolas sistentaveis,vinícolas sustentáveis,vinicolas sustentaveis,viticultura,

Vinhedos sustentáveis

Elaborar bebidas de alto padrão vem acompanhado de muita dedicação nos vinhedos. Conheça um pouco dos cuidados e manejos que adotamos com as videiras aqui na Casa Tertúlia.

O amor por animais e um ambiente sustentável

O primeiro passo para conciliar videiras com animais como ovinos e aves é ter muito amor e respeito no cuidado deles e das plantas. Buscamos um ambiente sustentável onde cada elemento do sistema viva de forma saudável e bem‑cuidada.

Uvas de maior qualidade

O resultado são frutos que apresentam altos níveis de sanidade, maturação e qualidade elevada, crescendo em um ambiente saudável com o mínimo de intervenções. A cada dia investimos em mais práticas para promover um cultivo sustentável.

Conciliação com ovinos para controle de ervas‑daninhas

As ovelhas são parte importante do manejo que adotamos aqui na Casa Tertúlia, pois ao se alimentarem de inços que crescem nos vinhedos elas permitem fazer um controle ambientalmente correto da vegetação sobre o solo, que pode vir a competir com as videiras. Combatendo as ervas daninhas com sustentabilidade, as uvas crescem mais fortes e sadias.

Tecnologia em irrigação subterrânea e segurança hídrica

Conhecendo o terroir do Alto Uruguai gaúcho, sabemos que apesar dos períodos de chuva e frio, também ocorrem verões muito intensos com risco de estiagem. Uvas sem um fornecimento hídrico adequado não podem se desenvolver, correndo o risco até mesmo de morte das plantas. Pensando nisso implementamos uma tecnologia israelense de irrigaçao por gotejamento subterrâneo, que evita desperdícios e permite que as videiras tenham água em momentos chave para ser crescimento, e, por consequência, uvas de maior qualidade.

Cuidado de cada planta, acompanhamento e dedicação na viticultura

Diferentemente de uvas cultivadas em extensos hectares de terra, na Casa Tertúlia optamos por lotes limitados a um tamanho que nos permita cuidar de cada pé, acompanhando em passeios frequentes aos vinhedos o desenvolvimento das videiras. Isso nos permite combater eventuais ataques de insetos, fungos ou outros fatores nocivos de forma pontual e controlada. Assim, se uma planta apresenta alguma enfermidade, ela logo é encontrada e tratada antes de se transmitir para as outras. Se uma videira nova cai no chão e sofre os abalos do vento, ela é rapidamente encontrada e firmada, o que evita machucados nos galhos e caule e, com isso, a entrada de doenças. Cuidados como esses elevam a qualidade das videiras e seus frutos.

Patos, galinhas d’angola, gansos e galinhas caipiras no controle de pragas

A presença de aves na propriedade auxilia no combate de insetos que, em demasia, podem prejudicar as plantas. Um número controlado desses animais permite um número também controlado de pragas. De forma natural, as aves se alimentam desses pequenos insetos e mantêm toda a área em equilíbrio sustentável. Além disso, tornam o ambiente mais bonito e nos alegram com suas visitas e seus banhos no açude.

Contamos com a ajuda de todos

Além das aves e ovelhas temos cavalos que pastam em um ambiente separado do vinhedo e contamos com a ajuda do nosso fiel escudeiro Bob. Ele auxilia a cuidar das ovelhas, nos acompanha pelos vinhedos e está sempre disposto a receber um abraço e um carinho. Sem dúvida esses ajudantes não podiam passar sem serem mencionados!

Uvas saudáveis, a cada ano comprovando que nossa dedicação vale a pena

Ano a ano, a cada safra, recebemos a confirmação de nossos esforços e a recompensa da natureza: frutos sadios, maduros e doces que virarão vinhos ou sucos que expressam o cuidado e a qualidade de um manejo sustentável.

Plantação de mata nativa e recuperação de vertentes

Além do cuidado com as uvas, pensamos que todo o ambiente deve ser tratado com respeito à natureza. Não queremos apenas que os vinhedos sejam sustentáveis, mas que essa prática se estenda para toda a área em que vivemos. Por isso plantamos constantemente mudas nativas, com centenas já plantadas, fazemos a recuperação de água de vertentes, respeitamos matas ciliares e, como dizemos sempre, desejamos um mundo cheio de tertúlias sob as árvores. Acreditamos que novas técnicas e tecnologias sustentáveis, com o auxílio da ciência e das pessoas, podem fazer crescer uma mentalidade de cuidado e respeito ai meio‑ambiente.

Galinhas felizes no vinhedo

Com sua casinha móvel, as galinhas caipiras passam o dia no vinhedo alimentando‑se de insetos, fazendo a limpeza dos vinhedos e fornecendo matéria orgânica. A brincadeira é dizer que às vezes encontramos quase mais ovos do que uvas por lá! Vivendo livres e felizes, conseguimos conciliar a plantação de uvas com aves, que se auxiliam mutuamente.

Vinhedos saudáveis e bem acompanhados

Acompanhamos os vinhedos frequentemente para garantir que tudo esteja em ordem.

Colheita da uva

Nesta foto temos as caixas dispostas em cada fileira para a colheita dos frutos que partem direto para a vinícola, onde são processados de modo a manter sua qualidade no produto final. Claro que o Bob está acompanhando!

Qualidade, qualidade e qualidade

Perseguimos de forma crescente a excelência no que fazemos. Frutas com qualidade para produtos de qualidade.

Manejo de ovelhas

Para que possamos garantir as melhores condições nos vinhedos, fazemos uma seleção de períodos e número de animais que ficam no vinhedo, o que é fundamental para a saúde das plantas e a qualidade dos frutos.

Alegria em encontrar um ambiente fértil e sustentável

Quando as uvas começam a surgir, compreendemos que estamos perseguindo o caminho certo, sempre evoluindo e buscando mais qualidade, sustentabilidade e ume vida feliz e saudável.

Patinhos e gansos tomando banho no açude

Uma cena que muito se vê pela Casa Tertúlia!

Vinhedo ao fim do dia

Sol se pondo nos vinhedos em um dia de verão, logo após a vindima.

Um pouco das cores do Alto Uruguai gaúcho

Com belos planaltos e longos horizontes, muita incidência solar e grande variação térmica, o Alto Uruguai tem um terroir próprio e promissor para os vinhos.

Mais informações sobre o assunto em:

https://revistaadega.uol.com.br/artigo/vinicolas-brasileiras-comecam-a-utilizar-metodos-sustentaveis-na-sua-producao_3505.html
https://revistapesquisa.fapesp.br/ovelhas-e-gansos-entre-as-vinhas/https://www.clubedosvinhos.com.br/sustentabilidade-na-producao-de-vinhos/#:~:text=Antes%20de%20tudo%2C%20%C3%A9%20preciso,processo%2C%20ou%20melhor%2C%20minimizando%20os https://wp.ufpel.edu.br/vitivinicultura/ https://www.ecycle.com.br/component/content/article/41-pegue-leve/2643-vinho-sustentavel-ecologico-bebida-dos-deuses-saudavel-ambientalmente-correto-naturais-verdes-mercado-organico-simples-agrotoxicos-sulfitos-so2-dioxido-enxofre-antroposofia-filosofo-cosmos-exotico-chifre-vinificacao-antioxidante-leveduras-toxico.html https://engarrafadormoderno.com.br/materia-principal/a-sustentabilidade-nas-vinicolas
https://www.clubedosvinhos.com.br/sustentabilidade-na-producao-de-vinhos/#:~:text=Antes%20de%20tudo%2C%20%C3%A9%20preciso,processo%2C%20ou%20melhor%2C%20minimizando%20os
https://abrafrutas.org/2019/04/tecnicas-sustentaveis-de-plantio-preservam-o-solo-e-aumentam-rendimento-da-producao/

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Escrito por:

Gabriel Hilgert

Engenheiro, colunista e administrador do site

2021-02-02 05:11:06

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Análise Sensorial: como avaliar um vinho

Muitas são as maneiras de se avaliar a qualidade de um vinho, mas a primeira foi formalizada por Carl Linnaeus no século 18, no entanto a idéia é tão antiga quanto à própria histótia do vinho e vai a 3000A.C., na epopéia de Gilgamesh, em que os vinhos das montanhas de Zargos e os vinhos libaneses foram comparados. No entanto, um dos primeiros métodos para definir os sabores e aromas foram sugeridos por Aristóteles e se baseava nos quatro elementos (ar, água, fogo e terra). Platão já havia também classificado aromas em famílias, mas foi só em 1516 que o termo “degustação” (do francês: dégustation ) surgiu. Apenas em 2004 que nosso conhecimento sobre aromas e sabores foram expandidos, o que garantiu um nobel a Linda B. Buck e Richard Axel.

A Degustação

São quatro os estágios da degustação:

  1. Aparência
  2. Aroma
  3. Sabor
  4. Retrogosto

Através desses estágios combinados revelam-se a complexidade e o corpo do vinho, e é onde críticos mais experientes perceberão o potencial e as possíveis falhas. Essa análise dependerá do tipo de uva, processo de produção e das características do vinho.

Como os Vinhos são Avaliados?

Existem várias maneiras de se avaliar um vinho, e elas são próprias das organizações que realizam as análises. As principais escalas são:

Escala de 100 Pontos

Os vinhos são avaliados em notas de 0 a 100, sendo que:

  • 50-60: Inaceitável
  • 60-70: Abaixo da média
  • 70-80: Ná média, com alguma distinção
  • 80-90: Acima da média
  • 90-95: Muito bom
  • 90-100: Extraordinário

Estas gradações variam levemente entre as escalas, sendo as mais famosas as de Robert Parker da Wine Spectator e a da Wine Enthusiast, que nem avalia vinhos com notas abaixo de 80. Estas escalas no entanto são criticadas, já que diferenças de um ponto são consideradas imperceptíveis ao sistema sensorial humano. É por isso que surgiu a escala seguinte.

Escala de 20 Pontos

A escala de 20 pontos (UC DAVIS), muito usada pelos franceses, avalia em diferentes ponderações nas seguintes categorias: aparência, cor, aroma, acidez volátil, acidez total, açúcar, corpo, sabor, adstringência e qualidade geral. As notas podem ser compreendidas em:

  • 0-9: Vinhos abaixo do comercialmente aceitável
  • 9-13: Vinhos normais, sem qualidades marcantes
  • 13-17: Vinhos acima do normal, com qualidades presentes
  • 17-20: Vinhos excepcionais

Mas vale destacar que também estes critérios (UC DAVIS) são considerados obsoletos pois baseia-se mais em procurar por vinhos sem defeitos. Por isso é usada a escala de Jancis Robinson, já que esta é mais precisa, ao mesmo tempo que considera características hedonísticas com maior afinco.

Escalas por Estrelas

As escalas por estrelas são as mais simples de entender, são as de 5 estrelas como usadas pelo The Wall Street Journal, Decanter e Michael Broadbent; as de 4 estrelas, usada pelo New York Timesm; e as de 3 estrelas, utilizadas por Gabero Rosso e Wine x Magazine. Nestas escalas nenhuma estrela significa inadmissível, uma estrela significa aceitável e se o vinho for consagrado com a última, significa que ele é excelente.

Como Avalio meu Vinho?

O processo de degustação requer uma grande atenção às sensações. Desse modo, reconhecer e relacionar sabores são habilidades que devem ser treinadas para alcançar êxito nessa atividade, e a forma mais simples de fazer isto é prestando atenção nas nuances dos sabores de todos os alimentos, não só o vinho. Assim, maior será seu arsenal sensitivo e mais precisa será a sua análise e, independentemente da escala de avaliação escolhida, um bom vinho poderá ser melhor aproveitado.

Leia Mais:

https://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Axel

https://en.wikipedia.org/wiki/Wine_tasting

https://www.jancisrobinson.com/how-we-score

https://cdn.shopify.com/s/files/1/0527/6177/files/how_we_rate_wines.pdf?2489

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Escrito por:

Jéssica Hilgert

Sommelière, estudante de filosofia e colunista da Casa Tertúlia

2021-02-02 03:40:37

Tags: história da uva,história do rio grande do sul,história do vinho,imigrantes,imigrantes alemães,imigrantes europeus,imigrantes italianos,isabel,isabel-2018,suco de uva,suco-de-uva-bordo-integral,suco-de-uva-branco-integral,uva isabel,uvas americanas,vinho colonial,vinho de garrafão,vinho de mesa,vinho isabel,vitis labrusca,

Isabel, vitis labrusca: um vinho na memória gustativa de muitos

De casta proibida a memória bem guardada, os vinhos de uva Isabel evocam a história de nossos antepassados e voltam a ser prestigiados por suas pecularidades.

“Quando bebo esse vinho, lembro do meu avô, dos almoços em família, abastecidos pelo vinho que ele fazia e guardava no porão da sua casa.” Esse relato, não incomum quando convidamos amigos para degustar nosso vinho proibido, costuma ser manifesto por muitos que viveram uma história hoje menos usual, mas ainda presente nas memórias de muitos. Por ser uma uva de cultivo mais dócil e de fácil adaptação, sua presença estendeu-se por nossos solos, especialmente no sul do país, onde muitos imigrantes europeus utilizaram a variedade para fazer vinhos, buscando reproduzir os que conheceram em suas terras originárias.

Não se encontravam videiras à época no Brasil. Na tentativa de cultivá-las, eram trazidas frações de seus galhos, que, ao serem afundadas na terra, desenvolvem as plantas perfeitamente. Mas o cultivo de uvas finas, além de ser ameaçado pela filoxera (inseto que dizimou vinhedos pelo mundo no século XVIII), não obteve êxito, até se passar a utilizar mudas enxertadas, o que ocorreu apenas na década de 1920 no Brasil. Dificuldades no manejo e tentativas fracassadas ocasionaram a substituição das mudas de cultivares europeias (vitis vinífera) pelas americanas (vitis labrusca), que além de tudo são mais resistentes à filoxera. De espécies diferentes e características bastante variadas, unificam-se quanto ao resultado tão desejado: o sumo fermentado das uvas que reaparecia então sobre as mesas.

Reunião familiar em Caxias do Sul, datada de 1928, de Franklin Benvenutti. Apesar das garrafas remeterem atualmente à cerveja, a coloração nos copos e o contexto de produção de vinhos, presente então na época, indica-nos qual era a bebida desfrutada.

Foi essa transformação que ainda hoje faz com que muitas pessoas tragam o hábito de elaborar vinhos com uvas de mesa, como é o caso da uva Isabel, e muito comumente inclusive desconheçam as viníferas europeias. Assim, guarda-se na memória o vinho conhecido através de familiares ou amigos e que era produzido dessa forma. Muitos ainda seguem o cultivo ou o consumo de vinhos de mesa, preferindo-os sobre os vinhos finos (assim chamados pela legislação brasileira, sendo uma das poucas categorias distinguidas, se compararmos, por exemplo, às inúmeras diferenciações encontradas nas leis da França). Mesmo que nos dias atuais vinhos de todas as castas e partes do mundo estejam acessíveis, as recordações mantêm com carinho os sabores e aromas que se sentiam naquelas taças.

Os famigerados “vinhos de garrafão”, por muitos conhecidos e ainda comercializados não como raridade no sul do país, são em sua vasta maioria vinificados a partir de uvas de mesa.

Em 1913, a plantação de uvas Isabel no Rio Grande do Sul equivalia a 96% de todas as videiras encontradas. Hoje em dia, seu percentual é de 32%, o que marca uma variação no consumo e produção de vinho. Com o passar do tempo, foram surgindo no país vinhedos de uvas europeias, como a Cabernet Sauvignon e a Merlot. Passou-se a descobrir como cultivá-las e a apreciar os vinhos finos, que efetivamente se destacam em algumas características perante os vinhos de uvas americanas. Por exemplo, não é comum um vinho de mesa manter-se em seu melhor estado senão em seus anos mais jovens, embora haja raríssimas exceções. Ademais, esses vinhos costumam conservar suas características durante seu breve período de maturação, ou seja, um vinho Isabel terá em 3 anos os mesmos sabores e aromas que possuía quando de sua elaboração, sem mudanças expressivas. Nos vinhos finos, sobretudo os mais encorpados, ocorre o fenômeno inverso, que muito nos encanta, em que há alteração das notas sensoriais com o decorrer do tempo. O Cabernet Sauvignon da Casa Tertúlia de 2018 possuía coloração rubi e forte aroma de frutas vermelhas silvestres nesse ano. Hoje, encontram-se agregadas notas de caramelo, chocolate e especiarias, que se desenvolveram com o tempo, assim como uma coloração granada muito diversa.

Já o vinho Isabel da Casa Tertúlia pode ser considerado um vinho “atemporal”, pois os sabores frutados que apresentava em sua elaboração ainda nos surpreendem ao se mostrarem nas taças que dele servimos. Este vinho, porém, tem uma peculiaridade. A enóloga utilizou uma técnica de contato com viníferas finas, o que lhe tornou mais tânico, deu-lhe corpo, intensidade de cor e estrutura, e aproximou-o de características de vinhos feitos com uvas europeias, não deixando as marcas da uva Isabel ocultadas, mas lhe dando maior complexidade. Assim, mesmo sendo um vinho indubitavelmente resultante de uma varietal labrusca e todas as memórias que elas nos trazem, serviu como experimento de sucesso para apresentar o amálgama das duas espécies de uva.

Encravado na memória afetiva e gustativa de muitos, o vinho Isabel deve ser honrado e reconhecido enquanto tal, pois além de carregar lembranças e uma boa parte da história de nossos antepassados, é apreciado por suas propriedades únicas e características. Mais terroso, frutado e indicado para ser bebido jovem, sua coloração de vermelho rosado atinge muitos apreciadores, livres das regras dos vinhos finos, que dirigem a ele seus mais agraciados votos de admiração e desfrute, tornando-o um vinho diferente, inusual aos que ainda não o conhecem, e uma torrente de lembranças aos que o levam em sua história.

Vinho de mesa Isabel da Casa Tertúlia elaborado no Alto Uruguai gaúcho. Além de suas notas frutadas e terrosas, traz a história de inúmeras famílias que produziram esse vinho por gerações.

Por se tratar de um vinho presente na memória de tantos que, através dele, reencontram-se com seus pais, mães e avós, optamos por elaborar, aqui na Casa Tertúlia, um vinho ícone de nossa história, que ao ser degustado nos leva a recordar de conversas, pessoas e momentos que marcaram nossas vidas. Queremos que depois de nós também outros o conheçam, pois nele há mais do que uma casta “não fina”, e sim um elogio aos tempos difíceis, às superações e ao amor que os seres humanos têm por boas conversas, regadas a bons vinhos. Este que, aliás, é o mote da Casa Tertúlia. Um viva também aos vinhos de mesa de boa qualidade!

Fontes:
https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/vinhos_e_espumantes_2019/2019/05/682534-isabel-a-historia-do-vinho-gaucho.html
https://vinhonosso.com/tag/vitis-labrusca/
https://crownwines.com.br/as-uvas-vitis-vinifera-e-vitis-labrusca/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Reuni%C3%A3o-de-fam%C3%ADlia—1928.jpg
https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/economia/2019/06/691115-simbolo-do-interior-gaucho-vinho-colonial-comeca-a-deixar-os-poroes.html
https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/uva_para_processamento/arvore/CONT000g5f8cou802wx5ok0bb4szwyx060i6.html
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-20612000000100022
https://amanha.com.br/categoria/brasil/a-epopeia-da-isabel-uva-que-transformou-o-agricultor-em-viticultor
https://revistamarieclaire.globo.com/Blogs/Boa-de-Copo/noticia/2020/08/conheca-o-vinho-natural-feito-com-renegada-uva-isabel-mesma-do-vinho-de-garrafao.html
http://vinho.ig.com.br/2020/06/04/a-filoxera-foi-o-coronavirus-do-vinho.html

Agradeço também a Viviane e Leodir Hilgert pelo entusiasmo e os ensinamentos passados com seus relatos.

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Escrito por:

Jéssica Hilgert

Sommelière, estudante de filosofia e colunista da Casa Tertúlia

2021-01-28 18:39:15

Tags: história da moscato de alexandria,história da uva,história da uva moscato,moscato,moscato de alexandria,moscato-2019,muscat,uva aromática,uvas aromáticas,vinhas antigas,vinho aromático,

Moscato de Alexandria, uma casta ancestral e aromática

Uma casta milenar que multiplicou-se do Mediterrâneo para o mundo.

Originária do Egito às margens do Rio Nilo, esta casta da cidade de Alexandria é considerada uma “vinha antiga”, cuja carga genética acredita-se haver permanecido sem alterações. Tipicamente mediterrânea, hoje é cultivada em inúmeros países, sendo uma das primeiras das mais de cento e cinquenta variedades da família Muscat a viajar pelo mundo. Costuma trazer notas florais, como a flor de laranjeira, frutadas remetendo a damasco, pera, maçã e cítricos, como também mel e erva-doce. Junto de seus aromas marcantes, é lembrada por ser uma varietal muito característica.

A Moscato de Alexandria é uma variedade de uvas Moscato, que, vindo da Grécia para a Itália, receberam o nome de pianae, “preferida das abelhas”, devido a seu alto grau de doçura.

Moscato de Málaga, da Espanha ou simplesmente Moscato branca de grãos grandes, há quase trezentos sinônimos para nomeá-la no Centro Internacional de Variedades Vitíferas (VIVC). Essa pluralidade marca sua presença em muitas partes do mundo, sendo utilizada para a elaboração de vinhos fortificados de Jerez, vinhos doces em países como Portugal, Itália, Espanha e Austrália, e servindo de base para espumantes moscateis brasileiros.

Estima-se que a Cleópatra bebia o vinho de Moscato de Alexandria trazido da ilha de Samos, no Mar Egeu ao noroeste da Grécia, onde a uva era intensamente cultivada.

Nos séculos XVII e XVIII também se consumia os doces vinhos de Málaga produzidos com essa uva, tornando-se um negócio próspero que conquistou até mesmo o paladar das donzelas inglesas na corte vitoriana do século XIX. O comércio desses vinhos que eram exportados intensamente durou até a dizimação da filoxera, recuperando-se então a produção por outras lugares, como o Chile, o Brasil, os Estados Unidos e a Argentina.

A característica mais marcante dos vinhos resultantes da Moscato é sua intensidade aromática. Nenhuma casta possui um aromas tão inconfundível quanto o de seus vinhos, que trazem o perfume da uva madura, frutas como o damasco e a pêra com notas almiscaradas e suavemente florais. Compartilhando dessas características, a Moscato de Alexandria compõe vinhos brancos muito variados e versáteis, secos, doces e espumantes, com elegância e potência de aromas e sabores bem distinguidos.

A vinícola Casa Tertúlia elabora um Moscato de Alexandria sur lie no Alto Uruguai gaúcho que marca as características dessa varietal. A passagem por borras elevou ainda mais a sua alta aromaticidade, tornando-lhe um vinho intenso e complexo.

Fontes:
https://www.vivc.de/index.php?r=passport/view&id=8241
https://revistaadega.uol.com.br/artigo/a-diversidade-da-moscatel_2817.html
https://en.wikipedia.org/wiki/Muscat_of_Alexandria
https://fr.wikipedia.org/wiki/Muscat_d%27Alexandrie
https://en.wikipedia.org/wiki/Muscat_of_Alexandria
https://www.portalbonvivant.com.br/post/moscato-de-alexandria-conhe%C3%A7a-um-vinho-brasileiro-elaborado-com-essa-uva
https://www.mistral.com.br/tipo-de-uva/moscatel-de-alexandria
http://www.vivtravel.com/cleopatras-wine/

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Escrito por:

Jéssica Hilgert

Sommelière, estudante de filosofia e colunista da Casa Tertúlia

2021-01-24 17:38:03

Tags: Alto Uruguai e Novos Terroirs do Brasil,borras,casa tertúlia,élevage sur lie,enologia,maturação sobre borras,método francês,moscato,moscato de alexandria,moscato-2019,muscadet,muscadet de la loire,sur lie,vinho,vinho branco,vinhos aromáticos,vinhos brancos brasileiros,vinhos brancos intensos,vinícola,

Maturação sur lie em vinhos brancos: como essa técnica funciona?


O termo de origem francesa refere-se à maturação “sobre borras”, o que aumenta a complexidade e cremosidade nos vinhos brancos.

Seja utilizada na elaboração de espumantes, seja na estruturação de vinhos brancos, a maturação sur lie, desde que aplicada a bebidas de alta qualidade, traz resultados excelentes oriundos de componentes das próprias leveduras que fizeram sua fermentação.

Todo o processo se inicia quando, após a transformação do açúcar em álcool (fermentação alcoólica), as leveduras entram na fase de autólise, que é uma autodegradação natural das moléculas, operada pelas enzimas ali presentes. Após algumas semanas, uma porção sólida se deposita no fundo dos recipientes: é a “borra”, sobre a qual faremos maturar o vinho sur lie, ou que será separada nas elaborações convencionais.

Essas borras nada mais são do que leveduras mortas sedimentadas, com compostos nitrogenados, aminoácidos, proteínas, lipídios e, mais importante, complexos aromáticos que podem ser restituídos ao vinho. Além da fermentação alcoólica, mais borras podem surgir caso se inicie a segunda fermentação, a fermentação malolática.

Borras depositadas ao fundo de barril após a autólise das leveduras que transformaram a uva em vinho. Observa-se também o processo de bâtonnage (revolvimento com bastão) das borras em um vinho branco.

O procedimento comum é separar o vinho das borras, que se mantêm ao fundo enquanto o líquido é conduzido a outro reservatório. Porém, a enóloga pode optar por manter o vinho em contato com parte dessa borra, o que traz mais complexidade aromática e deixa o vinho mais redondo e macio. Nos vinhos brancos o contato com as borras também é responsável por aumentar o corpo, conceder mais cremosidade, interferir na expressão dos taninos e elevar sua intensidade de aromas e sabores, além de deixá-los mais estáveis, durarouros, profundos e estruturados. Se o vinho for de boa qualidade, com uvas extremamente sadias e de boa maturação, tendo passado por uma fermentação bem conduzida, a borra trará propriedades igualmente favoráveis. Mas também pode ocorrer o oposto. Por isso a seleção dos vinhos cuja elaboração será conduzida dessa maneira precisa ser rigorosa, cabendo à enóloga julgar a quantidade, o tempo e se um vinho deve ou não ficar em contato com as borras.

Por esse motivo o método é também melhor aplicado a vinhos que se destacam em algumas qualidades, como é o caso do Moscato de Alexandria da Casa Tertúlia, extremamente aromático e com corpo e complexidade suficiente para receber a intervenção das borras. Inspirado na elaboração dos vinhos sur lie franceses, o Moscato da safra de 2019 da Casa Tertúlia passou por um método sur lie com borras refinadas, o que pode ser constatado observando a própria garrafa.

Moscato de Alexandria, safra 2019, Casa Tertúlia. Um vinho sur lie de coloração amarelo âmbar, muita intensidade e complexidade aromática, inspirado em métodos franceses.

Certamente as características marcantes desse vinho de lote limitado se devem, em partes, à varietal que é altamente aromática, com características muito favoráveis na hora da elaboração do vinho, e, em partes, às propriedades que foram enobrecidas através da maturação sur lie, além da meticulosa atuação da enóloga optando por esse método. Vale a pena conhecer os sabores de mel, erva-doce e as notas cítricas desse que certamente é um Moscato único e cheio de personalidade.

Fontes:
https://adegaperlage.com.br/2019/10/30/sur-lie-e-batonnage-no-vinho/
http://www.tintosetantos.com/index.php/envelhecendo/422-sur-lies-o-que-e-isso
https://www.labivin.net/article-que-signifie-la-mention-sur-lie-muscadet-50516514.html
https://dico-du-vin.com/elevage-sur-lies-l/
https://wisp-campus.com/l-elevage-sur-lies/?lang=en
https://www.enocultura.com.br/muscadet/
https://www.wine.com.br/winepedia/sommelier-wine/sur-lie-e-batonnage/

Agradeço também à enóloga da vinícola Casa Tertúlia, Viviane M. Massi Hilgert, pelas informações prestadas.

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Escrito por:

Viviane M. M. Hilgert

Enóloga da Casa Tertúlia

2020-10-29 07:17:37

Tags: autenticidade,autênticos,cabernet-sauvignon-2018,canernet sauvignon,Carvalho,merlot,moscato,moscato de alexandria,moscato-2019,personalidade,pureza,terroir,tipicidade,vinho-fino-seco-merlot-2018,vinhos,vinhos autênticos,vinhos com personalidade,vinhos puristas,vinhos únicos,

Vinhos Autênticos

A tipicidade e o terroir são atributos venerados entre apreciadores de vinhos, principalmente os que procuram explorar suas diferentes características e peculiaridades. Em busca dessas propriedades marcantes e genuínas é que selecionamos a forma de desenvolver nossos vinhos, utilizando técnicas que possam trazer o terroir mais natural de cada variedade de uva.

A linha de vinhos autênticos da Casa Tertúlia preza pela expressão das características próprias das uvas de que são feitos cada vinho.

Uvas sadias, com maturação completa, rigoroso sistema de higienização, fermentação de uva com temperatura controlada, manejo correto e acondicionamento adequado dos vinhos, são fatores essenciais para a transformação da uva em um vinho que revela toda sua origem e sua história, sem interferências externas. Em especial, esses vinhos não trazem elementos agregados da madeira, expressam o sabor oriundo da uva, sem intervenções. Tais vinhos são chamados de autênticos, e tem despertado cada vez mais o interesse dos amantes de vinhos de alta qualidade.

Barris de carvalho podem ser bons acompanhantes para certos vinhos, mas seu uso excessivo acaba por ocultar as notas originárias das uvas.

É por isso que a vinícola Casa Tertúlia privilegia uma linha de vinhos autênticos, no qual foi deliberadamente optado por não passar em barricas de carvalho aqueles vinhos que se destacam através de suas características próprias, evidenciando, sem ruídos, as castas que são elaborados.

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